18-MAR-2026
Na zona poente do concelho de Arouca está a ser arquitectado um novo modelo de cooperação institucional entre autarquias locais. As Juntas de Freguesia de Escariz, Fermedo e São Miguel do Mato encontram-se a preparar um protocolo de colaboração inter-freguesias, iniciativa que pretende reforçar a articulação entre as três autarquias e potenciar recursos existentes no território.Sobre o assunto, RODA VIVA ouviu os presidentes das três Juntas de Freguesia, José Albino Oliveira, Miguel Ângelo Quintas e Rui Rocha, responsáveis pelas freguesias de Escariz, Fermedo e São Miguel do Mato, respectivamente, que esclareceram que a base do protocolo passa por estabelecer orientações gerais para uma estreita colaboração institucional entre as três freguesias.Segundo os autarcas, o documento em preparação tem como objectivo definir mecanismos de colaboração, cooperação e articulação entre as autarquias, permitindo a partilha de equipamentos, recursos humanos e recursos técnicos, bem como o desenvolvimento de actividades conjuntas em várias áreas de intervenção.Entre os domínios contemplados destacam-se a protecção civil, áreas operacionais e logísticas, apoio administrativo, actividades ocupacionais, culturais e desportivas, promoção de eventos, desenvolvimento de projectos inter-freguesias e iniciativas de carácter social. A intenção é criar uma rede de cooperação que permita às três freguesias responder de forma mais eficaz às necessidades da população.Cooperação para enfrentar desafios comunsNa opinião dos três presidentes de Junta, este protocolo poderá constituir uma mais-valia significativa para mitigar a falta de recursos com que as autarquias locais frequentemente se deparam no dia-a-dia. Num contexto em que muitas freguesias enfrentam limitações financeiras e operacionais, a cooperação surge como uma estratégia capaz de potenciar meios existentes e evitar duplicação de esforços.Os autarcas sublinham que esta iniciativa faz todo o sentido, tendo em conta que as três freguesias partilham fronteiras administrativas, possuem várias vias rodoviárias de ligação entre si e utilizam infra-estruturas comuns. Entre essas estruturas encontram-se estabelecimentos de ensino, unidade de saúde, complexos desportivos e serviços essenciais utilizados diariamente pela população, como o posto dos CTT.Esta realidade faz com que muitos habitantes circulem e utilizem serviços nas três freguesias, o que reforça a importância de uma gestão coordenada e de uma visão conjunta para o desenvolvimento do território.Território com dinâmica associativaOutro factor destacado pelos autarcas é a existência de um movimento associativo activo na região, com diversas colectividades e associações que desempenham um papel importante na vida comunitária. Em particular, estas organizações contribuem para a formação desportiva dos mais jovens, a promoção da actividade física e cultural e o desenvolvimento de atletas provenientes das três freguesias.A colaboração institucional entre as Juntas poderá também facilitar o apoio a estas associações, através da partilha de equipamentos, da organização conjunta de eventos e da criação de projectos que envolvam todo o território.46 km2 e cerca de quatro mil habitantesA área territorial conjunta das três freguesias da zona poente do concelho de Arouca soma cerca de 46 quilómetros quadrados, reunindo uma população aproximada de quatro mil habitantes. Esta dimensão territorial e populacional reforça, segundo os autarcas, a importância de encontrar soluções cooperativas que permitam melhorar a gestão local.Vantagens de um protocolo inter-freguesiasO protocolo de colaboração em preparação poderá trazer várias vantagens práticas para a gestão do território e para a qualidade de vida da população. Quando freguesias vizinhas, com limites administrativos comuns e vias de comunicação partilhadas, decidem trabalhar em conjunto, a cooperação tende a traduzir-se em ganhos concretos de eficiência.Entre os principais benefícios apontados pelos responsáveis autárquicos destacam-se: Melhor coordenação de serviços públicos, permitindo respostas mais rápidas e articuladas às necessidades da população; Gestão mais eficiente de infra-estruturas comuns, evitando duplicações e promovendo uma utilização mais racional dos equipamentos existentes; Optimização de recursos financeiros, através da partilha de meios materiais, humanos e técnicos; Resposta mais eficaz a situações de emergência, nomeadamente no domínio da protecção civil e da logística operacional; Promoção de projectos conjuntos de desenvolvimento local, nas áreas cultural, social, desportiva e recreativa; Reforço da identidade e cooperação territorial, incentivando uma visão integrada para o futuro da zona poente do concelho.Um passo para o futuro do territórioPara os presidentes das três Juntas, este protocolo representa um passo importante na construção de uma estratégia comum para o desenvolvimento local, assente na proximidade entre autarquias e na partilha de recursos.A iniciativa pretende demonstrar que, mesmo mantendo a autonomia administrativa de cada freguesia, é possível trabalhar de forma concertada para melhorar os serviços prestados à população e valorizar o território.O processo de preparação do protocolo encontra-se ainda em fase de definição, mas os autarcas acreditam que este modelo de cooperação poderá tornar-se um exemplo de colaboração inter-freguesias no concelho de Arouca, reforçando a capacidade de resposta das autarquias locais e contribuindo para uma gestão mais eficiente e solidária do território. Fonte: Jornal Roda Viva